Conheça a tecnologia inovadora de Avatar
Escrito por sarchel Necesio Qui, 28 de Janeiro de 2010 00:00
Avatar’ foi o filme mais desafiador que já fiz”, afirma o diretor James Cameron.
“‘Avatar’ foi o filme mais desafiador que já fiz”, afirma o diretor James Cameron. E é uma declaração de peso, levando-se em conta o renome internacional de Cameron. Seus inovadores filmes “Titanic”, “O Exterminador do Futuro”, “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, “Alien – O Oitavo Passageiro”, “True Lies” e “O Segredo do Abismo” mesclaram espetáculo, narrativas e personagens envolventes, e expertise técnica a serviço da história e da emoção.
“Eu quis criar um tipo de aventura com a qual todos estivessem familiarizados, num mundo nada familiar, com a clássica trama do forasteiro que encontra uma cultura e um lugar diferentes num planeta alienígena”, destaca Cameron. Ele explica: “É uma história clássica, porém com várias reviravoltas para surpreender o público. Sonhei criar um filme assim, ambientado num outro mundo, repleto de perigos e beleza, desde que era um menino que lia revistinhas de ficção científica e quadrinhos sem parar, e desenhava monstros e extraterrestres na aula de matemática, com o papel escondido atrás de um livro. Com ‘Avatar’, esse dia chegou”.

“Avatar” se passa em Pandora, uma lua com ambiente semelhante ao da Terra, que orbita ao redor de um gigante gasoso chamado Polyphemus, no sistema estelar Alpha Centauri-A. Localizada a 4,4 anos-luz da Terra, Alpha Centauri é o nosso vizinho mais próximo, e quando se descobre que Pandora é rica em um mineral raro chamado unobtainium a raça humana resolve explorar os recursos desse novo mundo. O unobtainium não existe em nosso sistema solar, no entanto é a chave para solucionar a crise energética na Terra no século 22, portanto a Administração de Desenvolvimento de Recursos (RDA, na sigla em inglês) investe bilhões de dólares para explorá-lo nesse mundo distante.
Nossa história acontece no ano de 2154, 30 anos depois de uma colônia de mineração ser instalada em Pandora. A invasão do território dos nativos Na’vi pelas atividades dos humanos gera uma tensão crescente entre as duas espécies, e está prestes a causar uma guerra.
Cameron não estava interessado em usar maquiagem para criar a espécie alienígena. Há décadas, extraterrestres humanóides são interpretados por atores usando maquiagem, desde os filmes B dos anos 1950. Ele buscava um modo de levar a criação de personagens alienígenas para o século 21.

Em 1995, o cineasta testemunhou os rápidos avanços dos personagens em computação gráfica, e imaginou que o filme dos seus sonhos ambientado em outro mundo poderia se tornar realidade. Depois de criar personagens que foram marcos da CG (computação gráfica) em “O Segredo do Abismo” e “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, Cameron queria avançar com as técnicas de CG, e então “Avatar”, filme de visual ambicioso, teve seu roteiro escrito. No entanto, ao pedir aos especialistas em CG a realização dos primeiros testes, Cameron verificou que a tecnologia necessária para o fotorrealismo ainda estava a anos de distância, e por isso o projeto foi engavetado.
Quando Cameron retomou o projeto em 2005, parecia que as técnicas necessárias estavam logo ali. Naquela altura, ainda havia a preocupação de que os personagens não parecessem reais, e padecessem do efeito “olhar morto”, visto nos primeiros filmes com captura de performance. A equipe de Cameron tentou ir além, esforçando-se para assegurar que os personagens fossem completamente realísticos. Para tanto, desenvolveram um novo sistema de “captura de performance facial baseada na imagem”, usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as mínimas nuances do desempenho facial dos atores.
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No lugar de usar a técnica de aplicar marcos refletores no rosto do ator para captar suas expressões, cada ator usou um equipamento especial na cabeça, semelhante a um capacete de futebol americano, no qual era afixada uma minúscula câmera. O aparelho ficava voltado para o rosto do ator, e a câmera filmava as expressões faciais e os movimentos dos músculos num nível que jamais havia sido possível. E o mais importante é que a câmera filmava o movimento dos olhos, o que não ocorria nos sistemas anteriores.
O sistema permitiu a captura com clareza e precisão inéditas. Como o sistema não dependia das câmeras do passado, que capturavam movimentos, essas câmeras agora estão servindo apenas para captar o movimento do corpo, podendo ser comandadas a uma distância maior dos atores. Isso permitiu que a equipe de filmagem usasse um ambiente de captação muito maior, chamado de “Volume”.
Tendo seis vezes os volumes de captação anteriores, o Volume de “Avatar” foi usado para filmar cavalos verdadeiros galopando, dublês com complicados efeitos com cabos, e até cenas de lutas aéreas entre aeronaves e criaturas aladas. Assim, a revolucionária câmera na cabeça foi a chave para captar nuances sutis das emoções dos personagens, além ser o maior espetáculo do filme.

Outra inovação criada especialmente para “Avatar” foi a Câmera Virtual, que permitiu a Cameron filmar cenas dentro de seu mundo gerado pelo computador, como se estivesse em um estúdio de Hollywood. Por meio dessa câmera virtual, o diretor podia ver não Zoë Saldana, mas sua personagem de pele azul e 3,5 metros, Neytiri. No lugar de Sam Worthington e Sigourney Weaver, via seus avatares gigantes e azuis, com suas caudas e enormes olhos dourados. Em vez de ver o espaço cinzento e austero do Volume, via a floresta tropical exuberante de Pandora, ou talvez as flutuantes Montanhas Aleluia, ou a colônia humana no Portão do Inferno.
“Muito depois de os atores terem ido para casa, eu ainda permanecia no Volume com a câmera virtual, revisando as cenas”, diz Cameron. “Apenas repassando a tomada, consigo uma cena em diferentes ângulos. Podemos mudar a iluminação, podemos fazer várias coisas”. “É filmar em um nível diferente, como se comparasse a escola com um programa e doutorado no M.I.T.”, compara Laz Alonso.
Depois de elaborar os detalhes de como realmente capturar as atuações, o próximo passo foi contar com a ajuda da empresa do vencedor do Oscar de efeitos visuais Peter Jackson, a WETA Digital, na Nova Zelândia. A WETA foi responsável pela aparência quase real de personagens como Gollum em “Senhor dos Anéis”, e pelo incrível King Kong, e levou Cameron a acreditar que eles poderiam injetar vida em seus personagens Na’vi.

Desde o início foi primordial para Cameron que todos os detalhes das atuações fossem preservados nos personagens em computação gráfica quando eles aparecessem na tela. A WETA garantiu que sua equipe de animadores se encarregaria de passar cem por cento da atuação dos atores para seus personagens Na’vi ou seus avatares. Isso significava que os dados de alta precisão seriam gravados no momento que a cena fosse realizada; e isso também exigiu mais de um ano de trabalho da equipe de animação para criar os equipamentos que permitiriam que os personagens em CG mostrassem a mesma emoção dos atores cuja atuação eles estavam copiando.
Pergunte aos animadores da WETA, eles vão dizer que os avatares e os habitantes Na’vi são fruto de animação. Pergunte a Jim Cameron, e ele vai dizer que os personagens foram realizados pelos atores. A verdade é que ambos estão certos.
Foi necessária uma grande perícia em animação para assegurar que os personagens atuassem exatamente como os atores. Ao mesmo tempo, não se tomaram liberdades com as atuações. Elas não foram melhoradas ou exageradas. Os animadores procuraram ser fiéis ao trabalho dos atores, sem fazer nada a mais ou a menos que Sam, Zoë ou Sigourney fizeram no Volume. Naturalmente, alguns detalhes foram acrescentados, como o movimento das caudas e das orelhas, o que era impossível os atores fazerem. Mas, mesmo ali, o objetivo era manter a coerência com as emoções criadas pelos atores na hora da filmagem. Assim, quando a cauda de Neytiri balança e suas orelhas se abaixam em fúria, estão apenas expressando um pouco além a raiva criada por Zoë Saldana no momento da cena.

Cameron comenta: “Os atores me perguntaram se estávamos tentando substituí-los. Ao contrário, estamos tentando dar a eles mais poderes, novos métodos de expressão para criar personagens, sem limitações. Não quero substituir atores, adoro trabalhar com eles. Isso é o que eu faço como diretor. O que estamos tentando é substituir as cinco horas na cadeira de maquiagem, que é como se criam personagens como extraterrestres, lobisomens, bruxas, demônios etc. Agora você pode ser quem ou o quê quiser, ter qualquer idade, até mudar de sexo, sem o tempo e o desconforto da maquiagem complicada”.
Sam Worthington e os outros atores acharam libertador trabalhar no estúdio nu conhecido como o Volume, usando roupas especiais e o equipamento na cabeça. “Nós nos dedicamos ao processo de atuação e nos divertimos bastante”, conta Worthington. “Embora o avatar de Jake tenha 3,5 metros e seja azul, é minha personalidade e a minha alma. É espetacular que Jim consiga fazer isso”, completa.
Zöe Saldana treinou sete meses para criar uma realidade física para sua personagem, de modo que pudesse expressar de forma plena a graciosidade atlética de Neytiri. Ela sabia que não se tratava somente de dublar um filme de animação, mas era uma “atuação total” e todas as nuances de sua expressão facial e os movimentos de seu corpo seriam capturados.

Por causa das muitas camadas de tecnologia desenvolvidas especialmente para o projeto, os realizadores se encontraram em território inexplorado, descobrindo as respostas ao longo do caminho. Foram necessários 18 meses para desenvolver a captura de performance antes de se fazer qualquer cena com o elenco. Cameron admite: “Sempre procurei romper limites. Mas desta vez foi duro, foi necessário insistir. Comparo a experiência de realizar “Avatar” como pular de um despenhadeiro costurando o paraquedas no meio da descida”.
O diretor e os atores trabalharam juntos no Volume por mais de um ano, com alguns intervalos. Todas as etapas foram tão intensas como um relacionamento de trabalho que existe num set de filmagem comum; a diferença é que não havia luzes, câmeras ou gruas. Era a atuação pura. E todos realmente podiam se concentrar na atuação, na verdade emocional de cada momento, sem as distrações da filmagem. O diretor e os atores estavam envolvidos no processo, aproveitando a relação e se concentrando no que a captura da atuação permitia. Mas apenas quando Cameron e o elenco viram as primeiras cenas trabalhadas pela WETA, foi que compreenderam inteiramente como o filme seria revolucionário. Neytiri, Jake e Grace estavam vivos.
Com “Avatar” foi crucial conseguir uma atuação inteiramente autêntica para todos os muitos personagens. Os personagens em computação gráfica de “Avatar” seriam, diz o produtor Jon Landau, “reais, teriam alma e emoções”. Cameron completa: “Cada detalhe de atuação foi criado pelos atores, que fazem todas as coisas que você vê e seus personagens em CG, até o menor movimento da mão. Os personagens são exatamente e apenas o que os atores criaram”.

“Avatar” vai um passo além, colocando esses personagens fotorrealistas em um mundo que também é gerado por computador, mas parece completamente real. Cada planta, cada árvore, cada pedra é criada e renderizada no computador da WETA Digital, na Nova Zelândia.
Uma grande inovação está na iluminação, no sombreamento e na renderização, que permitiram à WETA criar um mundo fotorrealista que parece inteiramente natural aos olhos. Foi necessário mais de um petabyte (mil terabytes) de material digital para a WETA fazer toda a computação gráfica do filme: o infindável número de plantas e animais, insetos, rochas, montanhas e nuvens. Para dar uma idéia, “Titanic” exigiu dois terabytes para criar (e afundar) o navio e seus milhares de passageiros, cerca de 1/500 do usado em “Avatar”.
Além de toda essa complexidade, o filme foi feito em 3-D estereoscópico. Então, além de a WETA precisar trabalhar em 3-D ao criar as cenas em computação gráfica (como fizeram os outros produtores de efeitos visuais, como a ILM), as cenas ao vivo precisariam ser filmadas em 3-D. Cameron então usou o sistema Fusion Camera, que desenvolveu com Vince Pace.

Foram sete anos de trabalho para criar o sistema de câmera estereoscópica mais avançado do mundo. As câmeras funcionaram à perfeição no set de “Avatar”, permitindo que as cenas se fundissem suavemente com as imagens em CG, num processo uniforme.
Mas antes de “Avatar” se tornar realidade, o objetivo de Cameron com a nova câmera digital 3-D era retomar a experiência de exploração do oceano profundo com nitidez sem precedentes, para um público internacional. Sua histórica exploração do interior do navio Titanic foi o tema de seu filme em 3-D IMAX, “Ghosts of the Abyss”, seguido de “Aliens of the Deep”.
As experiências de Cameron nesses filmes não só ampliaram suas idéias para a realização de “Avatar” em 3-D, como também originaram uma das características mais marcantes do filme e um elemento da iluminação: no fundo do oceano, Cameron testemunhou um fenômeno em que algumas formas de vida literalmente brilhavam com uma luz que parecia de outro mundo, em meio à escuridão sem trégua. Cameron aplicou essa “bioluminescência” ao ambiente de Pandora, que ganha vida durante a noite por meio desse resplendor.

Nos estágios finais de “Avatar”, Cameron estava ansioso para dividir sua visão com o mundo. Ele promoveu exibições prévias de longas cenas para importantes exibidores nacionais e internacionais, e na concorrida convenção sobre quadrinhos e cultura pop Comic-Con.
Satisfeito com a reação a essas exibições prévias, Cameron continuou a refinar a edição e a rever o trabalho de efeitos visuais já concluído, ou quase concluído, que chegava diariamente da WETA Digital e dos outros profissionais de efeitos visuais (como ILM, Framestore, Prime Focus, Hybride e hy*drau”lx), tudo para fazer de “Avatar” uma experiência única para os frequentadores de cinema.
“Jim não faz filmes para ele próprio. Ele os faz para o público”, afirma Jon Landau. E Cameron conclui: “Quero muito que o público viva uma experiência no cinema completamente satisfatória. E espero que as pessoas saiam do cinema comentando, ‘Eu não assisti a um filme, vivenciei um filme.’”
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